Esta é uma visão pessoal sobre música nas IASD do Amapá. Analisando o departamento de música de várias igrejas percebi algumas coisas e quero aqui compartilhar minha opnião à luz do espírito de profecia e da Bíblia.
1) Não existe música na igreja.
Tal afirmação se deve ao fato de que não importa o quanto a direção de música se esforce para que haja música na igreja, o restante da igreja não colabora. Um exemplo muito claro disso é quando estamos cantando, com instrumentos ou com uso de playbacks, e algum deles para. Veja como a igreja louva… na verdade não louva, alguns gatos pingados cantam, outros olham as paredes e as paisagens bonitas do datashow, e o resultado é um cantico fúnebre, sem esperança, sem vontade, sem alegria, sem a certeza do que realmente estamos cantando. Áliás, para muitos, a música na igreja seria somente o datashow e notebook tocando os hinos do hinário, se fosse possível, nem cantores teríamos para “puxar”, somente os aparelhos. Que tipo de música é essa? Que tipo de louvor estamos fazendo em nossa igreja? O louvor realmente trás o espirito santo para o nosso lado nos cultos?
2) A direção da igreja infelizmente não dá importancia para a música.
Ellen White já diz: “Como parte do culto, o canto é um ato de adoração tanto quanto a oração”. Assim como oramos a Ele, nós cantamos a Ele. Em ambas as atividades, Deus é o expectador principal. Portanto, nossa atitude ao cantarmos deveria ser tão reverente como se fosse uma oração.
Infelizmente, nem sempre é assim.
Em Efésios 5:19 e Colossenses 3:16 Deus nos informa sobre os tipos de música que deveríamos oferecer a Ele: salmos, hinos e cânticos espirituais.
Salmos são passagens da Bíblia, especialmente do livro de Salmos, que são adaptados a melodias simples. Exemplos são “Deus Amou o Mundo de Tal Maneira”, “Ergo os Meus Olhos para os Altos Montes”, “O Senhor É Minha Luz”, etc. (HA – sem correlação. Outros exemplos: O Céu Azul (39) (Salmo 19); O Meu Pastor é o Bom Jesus (87) (Salmo 23); Infinita Graça (192) (Salmo 51); Confiei no meu Senhor (471)(Salmo 40:1-4)
Hinos são orações a Deus, nas quais exaltamos Seu caráter, amor, grandeza, majestade, força, poder e glória. Eles são definitivamente centrados em Deus. Considere os exemplos: “Santo, Santo, Santo”(18), “Prece ao Trino Deus”(09) e “Jesus Reinará”. (–)
Cânticos espirituais são testemunhos musicais da interação da Divindade sobre o coração e a vida do crente. “Salva-me Também”(399), “No Jardim”(426) e “Oh, Que Amigo em Cristo Temos!”(420) são exemplos. Pelo fato destas canções descreverem um relacionamento entre uma pessoa e Cristo, elas são corretamente definidas como canções evangélicas. Porém, nós, não tendemos a considerá-las como canções evangélicas, porque o ritmo não é sua característica principal. Aqui erramos, porque é o poema, a mensagem do cântico, e não a música, que qualifica um cântico como “música de testemunho”.
Agora, que importância a direção de nossa igreja dá a música se nã tem como disponibilizar pelo menos 10 minutos do culto de sábado para uma adoração em louvor verdadeira?
Ellen White escreveu extensivamente sobre o poder de canções e da música. Princípios bíblicos juntamente com pontos de vista publicados de Ellen White têm provido uma base para o desenvolvimento da filosofia adventista sobre música. Suas afirmações neste assunto podem ser resumidos da seguinte maneira:
- A música é uma dádiva de Deus, feita para inspirar e elevar o indivíduo. Esta dádiva pode ser pervertida para servir maus propósitos, e como tal é um dos agentes mais fascinantes da tentação.
- A música ajuda a memorizarmos a Palavra de Deus. “Existem poucos meios mais eficazes para gravarmos Suas palavras na memória que repeti-las numa canção.”
- A música é “um dos mais eficazes meios de impressionar o coração com a verdade espiritual”.
- A música é uma valiosa ferramenta educacional tanto no lar como na escola. Cantar leva pais, professores e alunos mais perto de Deus e de um ao outro.
- “Como parte do serviço religioso, cantar é tanto um ato de louvor como o é a oração.”
- Através da música “a comunhão celeste começa na Terra. Aqui aprendemos a nota tônica da sua adoração.”
Que bom seria se nós realmente seguíssemos o que a Bíblia e o espírito de profecia nos falam, não é?
3) Não existe instrução sobre música na igreja
Outra coisa que me chama muito a atenção é que já estudei de tudo nas lições da escola sabatina, mas observem nunca sobre a musica. Por quê? Que mistério existe atrás de tudo isso? Será que temos sido enganados pela igreja e pela escola dos profetas sobre esse assunto? Será tabu? Ou falta de
conhecimento mesmo. É incrível notarmos que quando queremos falar sobre música na igreja,
todos se afastam, não querem aprender o mínimo que seja, e depois ficam dando as suas opiniões sem fundamento nenhum. E quando queremos fazer algo para melhorar a música na igreja, somos literalmente barrados, chamados de radicais e outras coisas mais.
Veja um exemplo:
Certa vez estava com um irmão falando com uma irmã sobre música e dissemos que gostaríamos de formar uma banda para tocar na igreja. A irmã falou que se colocassem uma banda com bateria na igreja ela iria procurar outra igreja para frequentar. Perguntei a ela o porquê e ela respondeu que
bateria na igreja era falta de respeito a Deus. Agora eu pergunto, porque falta de respeito a Deus?
Por volta de 1980 a 1985, se aparecesse uma pessoa tocando na igreja um saxofone era motivo de discussão porque o instrumento lembrava banda de jazz. Mas hoje não é mais visto como antigamente. Por quê? E hoje em dia noto que o instrumento crucificado é a bateria. Refiro-me à bateria bem tocada como acompanhamento e não como solo. Se estiver no playback ou no teclado, tudo bem. Mas se estiver montada uma bateria eletrônica na frente da igreja aí, sim, é errado. Deve ser exorcizada? Qual é a saída para isso, pararmos no tempo?
Tudo se deve a falta de informação, não é dado oportunidade para os irmãos louvarem e para que eles sejam instruídos através da música.
A música para a igreja precisa ser diferente. Ele deveria ser especial. Seu conteúdo e estilo deveria contrastar de forma marcante com o que é ouvido ordinariamente em outros lugares. A música as igreja deve ser sagrada. Para atingir a determinação do próprio Deus, devemos fazer uma diferença entre o sagrado e o profano.
Ao fazermos esta diferença, precisamos nos lembrar que a música não é apenas um veículo para as palavras, mas tem uma mensagem em si mesma. Ela tem poder para expandir a mensagem das palavras que acompanha ou para corrompê-las. A música pode enobrecer o impacto das palavras ou diminuí-lo.
Nossa música sempre foi elogiada por outras denominações como sendo sacras, mas infelizmente hoje, a membresia da igreja se conforma em fazer música com playbacks.
Conclusão:
É aos músicos que a igreja recorre, sempre que precisa de músicas para seus eventos, CDs, hinários, etc.
São os músicos que, pelo poder de Deus, tem composto hinos que vem gravando mensagens espirituais e tocando corações por anos e por gerações.Precisamos fortalecer a unidade entre os ministérios da igreja, especialmente o da Música e o pastoral. Os dois têm uma grande influência,
um grande poder e uma grande missão.
Precisamos dar à música um lugar especial em nossos cultos de adoração. Ela não pode ser usada para preencher espaços vazios, ou ocupar a congregação enquanto não começa algum programa.
Precisamos mudar o conceito de música mecânica ou automática, usada simplesmente para o cumprimento de um processo litúrgico.
É preciso conduzir qualquer momento de louvor envolvendo o adorador e fazendo com que ele seja profundamente influenciado pelas palavras e acordes daquilo que está sendo cantado, tocado ou apresentado. Isso é utilizar a música como um ministério de adoração.
A música é uma das mais poderosas ferramentas para tocar corações. Ela precisa ser usada para alcançar aqueles que ainda não se entregaram.
Para isso não basta cantar ou tocar. É preciso ir mais além, colocar o coração em cada apresentação, não perder a chance de apelar a qualquer público ouvinte e desenvolver projetos para conquistar novas pessoas para Jesus. A música precisa se tornar, também, um ministério de evangelização.
Deus está chamando você para um Ministério de Música. Este chamado é para:
• Os músicos profissionais Adventistas;
• Os compositores;
• Os produtores musicais;
• Os cantores e instrumentistas;
• Os maestros e líderes de grupos musicais;
• Aqueles que não são músicos, mas dirigem o departamento de música das
igrejas.
Este convite vem dos dias de Davi. Depois de fortalecer o reino e conquistar Jerusalém para ser sua capital, Ele decidiu trazer a Arca da aliança para a cidade. Preparou uma tenda especial, reuniu o povo e estabeleceu um local de adoração.
Em I Crônicas 15 ele convocou os levitas e organizou todo o funcionamento do sistema de adoração, definindo exatamente o que cada um deles deveria tocar. Ao fazer isso deixou clara a importância dos músicos dentro do ministério e da adoração.
Chegou o momento de buscar a Arca e colocá-la no lugar preparado. No capítulo 15, verso 27 a Bíblia apresenta aqueles que tiveram destaque neste ritual: Davi, os levitas, os músicos, e Quenaías, chefe dos músicos. Este momento foi tão importante que até as roupas daqueles que participaram está
descrita.
No capítulo 16:4-6 a Bíblia apresenta Davi nomeando os levitas para estarem constantemente ministrando o louvor. Mais uma vez registra o nome e a função de cada um.
No momento da chegada da arca, Davi encarregou, pela primeira vez, Asafe e sua família da coordenação do louvor. A partir daí, eles foram destacados para cumprirem este ministério regularmente.
Leia este relato na Bíblia. Quando são apresentadas as equipes de trabalho do templo, a primeira é a dos ministros da música. Fica clara a importância do ministério da música dentro do templo, de forma organizada, definida e bem planejada.
A história da Bíblia mostra que os músicos têm um papel fundamental no ministério de adoração a Deus. A atuação dos músicos e a adoração deveriam estar diretamente ligadas à intercessão.
O que ocorria durante aqueles momentos não era um show nem um momento de entretenimento musical. As pessoas chamadas por Deus exerciam literalmente um ministério. Elas tinham plena consciência da importância do papel que exerciam e o quanto à eficiência da adoração dependia do correto desempenho das suas funções.
O ministério da música, que atua diretamente na presença de Deus, que abre as portas do céu e traz o seu ambiente até a terra, tem um lugar especial nos planos de Deus. Precisamos de menos músicas que falem de Deus e de mais músicas que tragam a presença de Deus e sejam Sua voz. Elas podem
ser para jovens ou para a igreja, para quartetos, solos, corais, bandas ou orquestras. Enfim, em qualquer grupo ou situação a prioridade precisa ser trazer o céu mais perto da terra.
Hoje precisamos resgatar mais desta visão de ministério. Precisamos focar mais na música que toca corações. Precisamos ir além da busca por um padrão de música. Nossa prioridade deve ser a visão e a estruturação de um ministério de música Adventista.
Há muitos músicos já focados nisso, ou dando uma boa colaboração para este ministério. A igreja tem uma grande gratidão a eles pelo trabalho que tem feito.E quanto mais nos afinarmos com a vontade de Deus, maiores serão as portas que vão se abrir diante de nós.
Para todos aqueles que já entenderam ou ainda precisam entender o seu papel como ministros, o primeiro salmo, de Davi, apresentado no novo lugar de adoração, faz dois desafios.
O primeiro está em I Crônicas 16:9 (NVI): “Cantem para Ele”. Este desafio não é apenas para os cantores, mas para todos os envolvidos com a música da igreja. Nossa música precisa ser produzida para Deus, e para a Sua glória.
Deus chamou cada músico para ser o Seu porta-voz; Para ocupar um lugar importantíssimo em sua causa; Para utilizar uma de Suas ferramentas mais poderosas; Para ajudar a abreviar a volta de Cristo.
Há um desafio para você que está envolvido com a música Adventista: Transforme seu talento em um chamado, e transforme seu chamado em um ministério. Cante, toque, reja, ensine, produza, sempre para Ele, para proclamar a Sua salvação. Isso é ministério.
Você que ainda não tem desenvolvido essa missão aceite o desafio de dar um novo rumo ao seu desenvolvimento musical, construindo um ministério de salvação.
Precisamos tornar reais as palavras que tantas vezes cantamos juntos (HA No. 10):
“Louvemos o Rei, Glorioso Senhor. Oh vamos cantar o Seu infindo amor”.
“Falemos de Deus, da graça sem par…”.
“Cantemos do seu cuidado por nós…”.
Deus está esperando o seu compromisso para que possa transformar seu
talento em um poderoso Ministério.
Um grande abraço a todos
Dionísio Júnior